Exposições passadas

Ao longo de sua história, o Museu de Porto Alegre Joaquim José Felizardo tem trazido ao público inúmeras exposições, as quais têm dialogado com o cotidiano social, político, cultural e econômico da cidade de Porto Alegre.  Em pesquisa no acervo de documentos do Museu, pode-se notar que os temas abrangem duas perspectivas da cidade: as pessoas e as instituições. Isso revela que nesse Museu, não apenas a história da cidade é contada, mas também a história de porto-alegrenses, que também fazem a cidade. Nesse sentido, destacam-se algumas dessas exposições que contam a nossa história, a partir de diferentes olhares.

1987 – Exposição de curta duração “Memória Neugebauer”

Essa exposição foi feita com o intuito de apresentar o desenvolvimento da indústria em Porto Alegre, bem como o dia-a-dia de imigrantes alemães, dentre os quais estavam, os fundadores da empresa. Na época, a empresa Neugebauer comemorava 96 anos, dos quais grande parte foi dedicada ao patrocínio de programas de rádio, que na década de 1960 revelou diversos artistas, como a cantora Elis Regina.

1990 – Exposição de curta duração “O Homem Errado”

Em maio de 1990, completou-se três anos do caso do assassinato de Júlio César de Melo Pinto, morto por policiais da Brigada Militar. O caso repercutiu, sendo por muito tempo tema de reportagens de diversos jornais. Alguns partidos se manifestaram contra a ação ocorrida, que foi considerada como um erro da polícia já que a mesma teria confundido Júlio César com um assaltante. “O Homem Errado” era Júlio César que se tornou um símbolo dos movimentos sociais, em especial o movimento negro que reivindicou a punição aos responsáveis pelo assassinato.

1993 – Exposição de curta duração “Traços da República em POA na virada do século XX”

A chegada do século XX trouxe mudanças importantes para a urbanização das cidades. O desenvolvimento tecnológico em conjunto com os problemas sociais de infra-estrutura teve impacto na forma como as cidades eram pensadas. Isso não era algo restrito a Porto Alegre, como bem buscou demonstrar a exposição, cujo objetivo foi apresentar como o desenvolvimento e com ele as dificuldades urbanas impactaram a história de Porto Alegre.

1994 – Exposição de curta duração “Porto Alegre Caricata: a imagem contra a história”

Ao longo da década de 1980, o movimento da Nova Museologia se estabeleceu ao redor do mundo, em especial nos espaços cuja cultura de acesso a museus era mais difundida. Uma das demandas desse movimento era inserir o social dentro dos museus, isto é, pensar como esses espaços contribuem para o desenvolvimento de uma sociedade. Como resultado, ampliou-se o lugar das ciências humanas nos museus, sendo que profissionais de diversas áreas como História, Antropologia, Sociologia entre outras foram demandados para ocuparem esses espaços. Ou seja, a pesquisa se tornou um dos eixos principais na construção de uma exposição. Nesse sentido, “Porto Alegre Caricata: a imagem contra a história” representou um grande passo nessa união, permitindo que o Museu de Porto Alegre se fortalecesse como um espaço de pesquisa. Coordenada pelas pesquisadoras Sandra Pesavento, Adriana Tyburski, Alice Trusz, Cláudia Mauch, Maria Angélica Zubaran e Sonia Ranincheski, essa exposição buscou analisar o contexto de criação de caricaturas, bem como sua relação com o aspecto político e social.

1995 – Exposição de longa duração “Solar Lopo Gonçalves: de Propriedade Rural a Museu de Porto Alegre”

A arquitetura dos bens imóveis de Porto Alegre se constitui como um dos patrimônios culturais mais importantes da cidade, pois através dela se pode conhecer esse local no tempo, isto é, como era e como é, permitindo que as pessoas compreendam importantes aspectos de permanências e rupturas em relação à cidade. Até mesmo a não manutenção de alguns bens permite que se perceba como nos relacionamos com o passado e quais aspectos desse tempo achamos pertinentes lembrar ou esquecer. Assim, o Museu Joaquim Felizardo buscou nessa exposição traçar a história de sua sede. O prédio que que remonta ao século XIX se tornou um Museu graças a um movimento social que buscou com que ele permanecesse ao longo do tempo. Nesse longo período de diferentes usos, o Solar Lopo Gonçalves acaba por ser também um importante objeto de pesquisa para se analisar as diversas relações sociais ali construídas. 

1995 – Exposição de curta duração “1964: Prá não esquecer”

A ditadura militar instaurada no Brasil em 1964 trouxe inúmeras questões sensíveis que até os dias de hoje ainda causam controvérsias. As maiores disputas estão em torno daquilo que se deve lembrar e daquilo que se deve esquecer. Todavia, as pesquisas têm demonstrado a importância de lembrar para nunca mais acontecer. É nesse sentido que essa exposição se situou como um meio de manifestar a memória a partir de fotos, textos, recortes de jornais que trouxeram, a partir de uma pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisa Histórica da Secretaria Municipal da Cultura, um panorama geral dos desdobramentos sociais do período.

1997 – Exposição de curta duração “Criança Bem na Foto – 100 anos de fotografia infantil”

Dentro do acervo de fotografias do Museu Joaquim Felizardo, foi possível edificar inúmeras exposições, entre elas a “Criança Bem na Foto – 100 anos de fotografia infantil”, a partir da qual é possível perceber a historicidade da infância, isto é, o que era ser criança em um período é diferente de outro período. Apresentando fotografias desde o século XIX até meados do século XX, a exposição também permitiu os questionamentos às fotografias, como quem eram e quais as origens sociais das crianças que apareciam em fotos de determinada época.

1997 – Exposição de curta duração “As Espiritualidades da Cidade Baixa

As diferentes experiências religiosas e espirituais vividas pelas pessoas no Brasil também poder ser percebidas dentro de um mesmo bairro. Nesse aspecto, a Cidade Baixa, onde está localizado o Museu Joaquim José Felizardo foi tema dessa exposição, cujo mecanismo de pesquisa partiu em especial de entrevistas, o que possibilitou à exposição a inserção dos moradores do bairro diretamente na construção do discurso museológico.

1998 – Exposição de longa duração “Porto Alegre: Uma história em 3 tempos”

Essa exposição teve por objetivo proporcionar ao visitante possibilidades de questionamentos acerca dos diferentes tempos que constituem a cidade. Nesse sentido, buscou-se representar diferentes grupos sociais em determinados espaços da cidade.

1998 – Exposição de curta duração “Ricos e Pobres no século XIX: uma arqueologia da diferença”

Como diferentes classes econômicas convivem em um mesmo espaço urbano? Essa pode ser uma questão do presente, porém, dado os aspectos de desenvolvimento social no Brasil, essas diferenças sempre estiveram no cotidiano. Nessa exposição, buscou-se, através de vestígios arqueológicos, investigar essa relação entre pessoas de diferentes origens sociais, mas que dividem o mesmo espaço público.

1999 – Exposição de curta duração “Festa Política’

O apoio de importantes centros de pesquisa se tornou um fator constante nas exposições do Museu Joaquim Felizardo. “Festa Política” foi construída em parceria com o Núcleo de Antropologia Visual da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e abordou, através de fotos, os momentos das eleições para governador do Estado, em 1998.

1999 – Exposição de curta duração “História da Cia Carris: fotos e objetos antigos”

Ainda dentro das parcerias institucionais, essa exposição foi construída em conjunto com a Carris, empresa de transporte coletivo de Porto Alegre, fundada em 1872.

2001 – Exposição de curta duração “Paisagens da cidade: uma arqueologia do centro de Porto Alegre no século XIX”

A pesquisa dessa exposição foi feita pela arqueóloga Beatriz Thiesen, cuja preocupação constitui na análise de objetos encontrados em escavações no Centro da cidade.

2013 – Exposição de curta duração “Kyringüé: infância poética guarani-mbyá para reencantar o futuro”

Assim como a exposição “Criança Bem na Foto” de 1997, que buscou mostrar as diferentes infâncias ao longo do tempo, a exposição “Kyringüé: infância poética guarani-mbyá para reencantar o futuro” também tomou como objeto a infância, porém dessa vez o foco foi um tipo de infância que os grandes centros urbanos não têm muita familiaridade. Crianças da Escola Indígena Nhmandú Nhemopu’ã fizeram desenhos que retratassem suas vidas. Esses desenhos foram expostos para retratar esse tipo de infância que pouco se conhece, mas que faz parte da realidade brasileira como um todo. Construída em conjunto com o Grupo de Trabalho Povos Indígenas da Prefeitura de Porto Alegre, a exposição mostrou diferentes representações dessa realidade dos povos indígenas através do olhar das crianças.

2019 – Exposição de curta duração “Deus Momo vem aí: histórias da folia de rua na Porto Alegre antiga”

Partindo do acervo pertencente à instituição, a exposição explora as diferentes formas assumidas pela festa de rua desde meados do século XIX até os anos de 1950, quando blocos e cordões definitivamente tomaram conta do Carnaval da cidade. O ponto de partida para a elaboração da exposição foi, de uma parte, a preciosa coleção de fantasias de Vicente Rao, figura tradicional do Carnaval de rua desde 1927 que, anos depois, foi coroado Rei Momo. De outra, a instigante descoberta arqueológica de 21 tampinhas metálicas em uma escavação arqueológica na rua Uruguai, no centro de Porto Alegre, identificadas como partes de frascos de lança-perfume.
 
Além do acervo de indumentária, fotografia e itens arqueológicos pertencentes ao Museu, a pesquisa sobre a festa foi realizada em jornais, revistas e trabalhos acadêmicos e nos leva a pensar sobre questões urbanas e sociais vinculadas à história e à memória da cidade.
 
A exposição ainda ganhou um saboroso desdobramento virtual. Uma compilação de trechos coletados na imprensa local da segunda metade do século 19 até a primeira década do século 20 está disponível em nosso site. São pequenos textos que descrevem primorosamente o contexto da folia local à época e que receberam a interpretação dos atores Airton Tomazzoni e Laura Backes. O material foi selecionado a partir da dissertação de Mestrado Certas Coisas não são para que o Povo as Faça, de Alexandre Lazzari.  As gravações aconteceram no Estúdio Geraldo Flach, da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, sob a supervisão dos técnicos Marcos Vaz e Paulo Mário S. Costa. Clique aqui para acessar o material e divirta-se!