História institucional

A necessidade de criação de um museu municipal sobre a história de Porto Alegre já era manifesta na imprensa no final da década de 1960. Em 1969, um artigo do jornal Correio do Povo mencionava a possibilidade de instalar a instituição no prédio da antiga Alfândega, no centro da cidade. Na mesma época, cogitava-se o tombamento do Solar Lopo Gonçalves e sua ocupação por um museu da Imagem e do Som, destinado a reunir o acervo da imprensa da cidade. Em 1974, entretanto, foi criado o Museu da Comunicação Social Hipólito José da Costa e, ao que tudo indica, a proposta de criação de um Museu da Imagem e do Som vinculado à Prefeitura foi abandonada.

Porém, a partir de um movimento a favor da preservação da casa, que reuniu poder público, jornalistas e intelectuais, surgiu a ideia de instalação de um museu para a cidade na antiga edificação que pertencera ao Lopo Gonçalves. Em 1979 foi criado o Museu de Porto Alegre, situado na rua Lobo da Costa, no bairro Cidade Baixa. Em 1980, tiveram início as obras de restauração do Solar que, a partir de 1982, passou sediar a instituição. Em 1993, o Museu de Porto Alegre passou a denominar-se Joaquim José Felizardo, em homenagem ao historiador e criador da Secretaria Municipal da Cultura.

De acordo com Zita Possamai, ex-diretora e autora de um livro sobre o Museu de Porto Alegre, “O processo de transformação desta residência, construída no século XIX, em lugar de memória da sociedade porto-alegrense em muitos aspectos entrelaça-se com a história do surgimento do próprio museu, chegando, muitas vezes, a confundirem-se, o que propicia compreender melhor a própria trajetória do Museu” (POSSAMAI, 2001, p.21). A autora percebeu que há, na história dessa instituição, disputas em torno dos significados atribuídos ao Museu. As disputas, nesse caso, são entendidas como ações de escolhas, isto é, há motivos que nos levam a lembrar, esquecer, comemorar, etc.

O lugar do Museu Joaquim José Felizardo no tempo também pode ser pensado a partir de diferentes práticas cotidianas da instituição, desde a organização de exposições até mudanças arquitetônicas, passando por reuniões e produção de relatórios. A análise da documentação institucional pode nos ajudar a entender como esse Museu “se fez Museu” a partir de sucessivas construções e reconstruções. Das primeiras exposições até as mais recentes, por exemplo, é possível perceber modificações nas propostas temáticas, em especial a partir do final dos anos 1980, onde os sujeitos passam a ter mais enfoque, tendo em vista que as exposições anteriores priorizavam aspectos institucionais da cidade.

Referência bibliográfica:

POSSAMAI, Zita Rosane. Nos bastidores do Museu: Patrimônio e passado da cidade de Porto Alegre. Porto Alegre: EST edições, 2001.

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