O Carnaval na virada do século 19

Nos áudios a seguir você pode acompanhar impressões e opiniões sobre a o Carnaval da virada do século 19 que foram publicadas em jornais como o Correio do Povo, o Jornal do Commercio e A Federação.

A seleção e compilação de trechos foi realizada a partir da dissertação de Certas coisas não são para que o povo as faça, Carnaval em Porto Alegre – 1870-1915, de Alexandre Lazzari.

As gravações aconteceram no Estúdio Geraldo Flach, da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, sob a supervisão dos técnicos Marcos Vaz e Paulo Mário S. Costa.

Viaje pelos antigos carnavais e divirta-se! Como publicado em A Reforma de 1886 “corra água na cidade, munam-se todas e todos de bisnagas e ferva o tiroteio, com a possível moderação, como exige a saúde pública. Vamos, bisnagas em punho, e esguicho para a frente!”.

Apresentação

Tu já viste, Chiquinha, o desaforo da L., diz que só o Faísca que pode dar bisnagada nela, que não dá esta honra a mais ninguém… (O Século, 12 de fevereiro de 1882).

Quem se quisesse transportar ao antigo entrudo de Porto Alegre havia de lembra-se que na rua Nova, em casa das Ângelas e Perpétuas, havia nas três tardes de entrudo um perfeito bazar… (Gazeta de Porto Alegre, 13 de março de 1884).

O Castello, querendo bisnagar certa moreninha, errou a pontaria e bisnagou a mãe, por causa da miopia… (O athleta, 21 de março de 1886).

Vamos, bisnagas em punho, e esguicho para frente! (A Reforma, 7 de março de 1886).

Enquanto a cidade inteira joga e diverte-se, a polícia só multa quem lhe parece, com a mais revoltante injustiça e iniqüidade… (A Reforma, 1º de março de 1870).

Quem te viu e quem te vê! Bem se poderia aplicar esta escarninha frase a S. Excia. O Sr. Carnaval… (Correio do Povo, 18 de fevereiro de 1896).

Bons tempos aqueles, bons tempos em que o Carnaval apareceu… (Correio do Povo, 18 de fevereiro de 1896).

 
Não há nada como o esguicho. O esguicho é a alma do entrudo… (Correio do Povo, 9 de fevereiro de 1896).

Elegante bisnaga, em lâmina de chumbo atarrachada, que escorropichava líquidos odorantes sobre os mimosos seios das castas donzelas… (Correio do Povo, 7 de fevereiro de 1897).

Aproxima-se o carnaval, a quadra das loucuras supremas e das gargalhadas… (A Gazetinha, 10 de fevereiro de 1899).

(…) ao som da música, entregavam-se ao “maxixe desenfreado”, em requebros exagerados e obscenos… (A Federação, 28 de fevereiro de 1900). 

Imaginem que eu descobri rapaziada de tom, da melhor roda, colarinho à Pinot e rosa à lapela, envolvida na multidão rumorosa… (Correio do Povo, 28 de fevereiro de 1900).

(…) grupos de mascarados abichados, relambórios, soltando uivos lúgubres de cães agoureiros; mulheres e homens a correrem num desespero indômito para esguicharem-se mutuamente nos olhos e no nariz a bisnaga-relógio… (A Federação, 3 de março de 1900).

Via-se em plena rua dos Andradas cada coisa…! quero dizer: cada bisnaga que por si só era uma indecência… (Correio do Povo, 4 de março de 1900).

A maior parte desses máscaras, ensacados dentro de umas roupas velhas, fingindo fantasia, de metim sujo, procurou de preferência o ponto escolhido pelas famílias para dar expansão ao seu espírito imoral… (Jornal do Commercio, 17 de fevereiro de 1904).

Chega, porém, o carnaval (…). Por alguns dias a humanidade mostra-se tal qual é. Safada, postiça, enodoada, factícia… (Correio do Povo, 21 de fevereiro de 1904).

Como há o povo, com arte, chiste, discrição, fazer a crítica dos costumes, dos fatos, dos homens superiores à sua bitola, escapos à caveira comum? (Correio do Povo, 25 de fevereiro de 1906).

O Carnaval porto-alegrense nasceu de uma bomba d’água que o entrudo traiçoeiro, penetrando nas trincheiras que os irmãos Masson (Leopoldo e Luiz) haviam construído em um sobrado à rua dos Andradas… (O Independente, 6 de fevereiro de 1910).

 

FICHA TÉCNICA
Concepção, pesquisa e edição de textos: Clarice Alves
Intérpretes locutores: Airton Tomazzoni e Laura Backes
Técnicos de Som: Marcos Vaz e Paulo Mario S. Costa
Trilha Sonora: De babado sim, de Lupicínio Rodrigues e João Mina, intérprete Horacina Correa & Orquestra de Leo Peracchi
Gravado no Estúdio Geraldo Flach/Secretaria da Cultura de Porto Alegre